Energéticos viraram parte da rotina. E isso tem custo.

Bebidas energéticas deixaram de ser exceção e passaram a ser usadas para compensar cansaço, sono ruim e jornadas longas.

O consumo de bebidas energéticas deixou de ser pontual e passou a integrar a rotina de jovens e adultos que tentam manter uma produtividade elevada apesar do cansaço. Vendidos como solução para falta de energia, esses produtos rápidos combinam altas doses de cafeína com outros estimulantes, o que amplia seus efeitos no organismo.

O problema surge quando o uso se torna frequente. Ao recuperar o corpo, a energia pode prolongar estados de alerta, dificultar o descanso e agravar sintomas de ansiedade e fadiga.

Estímulo concentrado e efeito prolongado

Diferentemente do café, cuja composição é mais simples, os energéticos contêm cafeína, extratos vegetais estimulantes, como guaraná, além de taurina, açúcares ou adoçantes. Essa combinação atua diretamente no sistema nervoso central.

Segundo a médica neurologista Dalva Poyares , especialista em medicina do sono e integrante da Associação Brasileira do Sono, bebidas energéticas não devolvem energia ao corpo, apenas estimulam o sistema nervoso, o que pode mascarar a combustão e adiar o descanso necessário.

Dalva Poyares, médica neurologista e especialista em medicina do sono. Foto: Divulgação

O efeito imediato costuma ser sensação de foco e disposição. No médio prazo, porém, o organismo reage com dificuldade para relaxar, alterações no sono e aumento da irritabilidade.

Sinais que costumam ser ignorados

Os efeitos do consumo excessivo nem sempre são associados à bebida. Muitos usuários relatam sintomas que acabam sendo direcionados apenas ao estresse cotidiano.

Entre as mais frequentes estão:

  • esper sem causa aparente

  • insônia ou sono fragmentado

  • cansaço intenso após o efeito inicial

  • dor de cabeça e desconforto gastrointestinal

  • sensação de mente acelerada

Esses indicam sinais de sobrecarga do sistema nervoso.

Uso recorrente criação ciclo de exaustão

Ao consumir energia para compensar noites mal dormidas ou jornadas prolongadas, o corpo entra em um ciclo difícil de romper. O estímulo artificial mantém a pessoa funcional durante o dia, mas compromete o descanso noturno.

“A privação de sono somada ao uso constante de estimulantes pode levar a um estado contínuo de fadiga, com impacto direto no humor, na atenção e na saúde mental”, explica Dalva Poyares.

Com menos recuperação, a dependência do estimulante aumenta. O resultado é queda progressiva da energia real, mesmo com consumo constante da bebida.

O consumo cresce entre jovens e adultos

Antes restritos a situações pontuais, como longas viagens ou turnos específicos, as energias passaram a ser usadas em ambientes de trabalho, estudos e atividades físicas. Muitas vezes, são combinados com café ou outros produtos cafeinados, ampliando o risco de excesso.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária alerta que o consumo exagerado de cafeína pode provocar efeitos adversos cardiovasculares e neurológicos, especialmente quando diferentes fontes são somadas ao longo do dia.

Quando é preciso rever o hábito

Palpitações, ansiedade após o consumo e piora do sono são sinais claros de alerta. Os especialistas recomendam atenção especial ao horário e à frequência de uso.

Reduzir o consumo, evitar energias à noite e não combinar estimulantes costuma trazer melhorias benéficas em poucos dias.

A energia não é um vilão isolado. O risco não é de uso contínuo como resposta automática ao cansaço.

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